{"id":516,"date":"2023-12-28T17:50:50","date_gmt":"2023-12-28T17:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/lightcoral-goat-985028.hostingersite.com\/v2\/?p=516"},"modified":"2023-12-28T17:50:50","modified_gmt":"2023-12-28T17:50:50","slug":"quem-deve-pagar-uniforme-empregado-empregador-direito-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/michelpaes.adv.br\/index.php\/quem-deve-pagar-uniforme-empregado-empregador-direito-trabalho\/","title":{"rendered":"De quem \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme: funcion\u00e1rios celetistas e estatut\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O uniforme \u00e9 uma vestimenta padronizada que \u00e9 utilizada por funcion\u00e1rios de determinadas empresas ou institui\u00e7\u00f5es. Ele pode ser utilizado por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, higiene, ou para promover a identifica\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio com a empresa ou institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a quest\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 regulada de forma diferente para funcion\u00e1rios celetistas e estatut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Funcion\u00e1rio celetista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de funcion\u00e1rios celetistas, a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 do empregador. Essa obriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista no artigo 456 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 456 da CLT estabelece que o empregador \u00e9 obrigado a fornecer ao empregado, sem \u00f4nus para este, os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual adequados ao seu grau de risco e em perfeito estado de conserva\u00e7\u00e3o e funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O uniforme \u00e9 considerado um equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, pois tem a fun\u00e7\u00e3o de proteger o funcion\u00e1rio de riscos \u00e0 sua sa\u00fade e seguran\u00e7a. Por isso, a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 do empregador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Funcion\u00e1rio p\u00fablico \u2013 Previs\u00e3o estatut\u00e1ria e fun\u00e7\u00e3o da CLT na aus\u00eancia de previs\u00e3o expressa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que os servidores p\u00fablicos s\u00e3o regidos por regime jur\u00eddico pr\u00f3prio, de natureza estatut\u00e1ria (artigo 39, caput). Isso significa que os servidores p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o regidos pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), mas sim por um regime jur\u00eddico espec\u00edfico, criado por lei espec\u00edfica para cada ente p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime estatut\u00e1rio \u00e9 o conjunto de normas que regulam as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas entre os servidores p\u00fablicos e o Estado. Ele abrange desde a forma de ingresso no servi\u00e7o p\u00fablico, passando pelos direitos e deveres dos servidores, at\u00e9 a forma de demiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme pode ser do funcion\u00e1rio ou do empregador, dependendo da previs\u00e3o do regime estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o regime estatut\u00e1rio prever expressamente que a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 do funcion\u00e1rio, essa ser\u00e1 a regra aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o regime estatut\u00e1rio n\u00e3o prever expressamente a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme, a CLT pode ser aplicada de forma residual. Isso significa que, na aus\u00eancia de previs\u00e3o expressa no regime estatut\u00e1rio, a CLT ser\u00e1 aplicada para regulamentar essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a aplica\u00e7\u00e3o da CLT aos servidores p\u00fablicos deve ocorrer de forma subsidi\u00e1ria, apenas quando n\u00e3o houver previs\u00e3o espec\u00edfica no regime estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento foi confirmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 579.431, de 2015. No caso, o STF entendeu que a aplica\u00e7\u00e3o da CLT aos servidores p\u00fablicos celetistas da Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) violou o artigo 39 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O item 2 da ementa do julgamento do STF Rext 579431 estabelece que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA aplica\u00e7\u00e3o da CLT aos servidores p\u00fablicos deve ocorrer de forma residual, apenas quando houver lacunas ou omiss\u00f5es no regime jur\u00eddico estatut\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esse entendimento \u00e9 importante porque garante que os servidores p\u00fablicos sejam regidos por um regime jur\u00eddico pr\u00f3prio, que atenda \u00e0s suas especificidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 do empregador no caso de funcion\u00e1rios celetistas. No caso de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, a obriga\u00e7\u00e3o pode ser do funcion\u00e1rio ou do empregador, dependendo da previs\u00e3o do regime estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Constitui\u00e7\u00e3o Federal do Brasil de 1988.<\/li>\n\n\n\n<li>Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/li>\n\n\n\n<li>Regimes Estatut\u00e1rios dos Servidores P\u00fablicos dos Entes Federados.<\/li>\n\n\n\n<li>Senten\u00e7a do Recurso Extraordin\u00e1rio STF n. 579.431<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Michel R. Paes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Advogado<\/p>\n\n\n\n<p>OAB\/AC 4.189<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obriga\u00e7\u00e3o de comprar uniforme \u00e9 do empregador no caso de funcion\u00e1rios celetistas. 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